Vítima afirmou que está separada do suspeito há quase um ano e que
durante todo o casamento, que durou 11 anos, era agredida constantemente.
A foto recebeu centenas de reações
e compartilhamentos. Jackeline relata que foi agredida pelo ex, Carlos Henrique
Evangelista de Oliveira, na frente dos filhos porque ele descobriu que ela
estava namorando.
"Cansei
de me calar. Estou aqui na UBS para quem quiser ver. Meu ex-marido acabou de
quebrar meu nariz", escreveu.
Após a repercussão do post,
Jackeline fez outra publicação em que contou mais detalhes sobre a relação com
o ex-marido e disse que apanhou durante 11 anos.
"Vocês
acham que eu gostava de apanhar? Vocês acham que eu era feliz sendo traída e
ofendida com os piores nomes possíveis?", questionou.
Ela disse
que tentou por fim ao relacionamento antes, mas nunca conseguia. "Por
várias vezes tentei me separar, mas aí a perseguição era tanta, e não atingia
só a mim, era meu trabalho, minha família... Diante das perseguições eu acabava
voltando, até que depois de 11 anos encontrei forças em Deus pra criar coragem
e sair daquela situação."
"Poderia escrever um
livro com história de terror com tudo o que eu passei", disse.
Por fim, ela deixou um alerta para as mulheres que
vivem em um relacionamento abusivo: "Mulheres, não se calem. Não tenham
medo. Se o medo for da morte, entendam que vocês que vivem uma situação destas
dentro de casa estão com a alma morta em um corpo que apenas existe, não
vive."
Jackeline registrou um boletim de ocorrência sobre
a agressão. Após passar pela Unidade de Pronto Atendimento de Araçariguama ela
aguarda vaga para fazer uma cirurgia no Centro Hospitalar de Sorocaba (CHS).
Carlos Henrique, apontado na postagem como autor
das agressões, é assessor de um vereador da cidade. A reportagem do G1 tentou entrar em contato com ele, mas as
ligações não foram atendidas.
Taxa de feminicídios no Brasil é a quinta maior do mundo
Entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres. O Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condição de ser mulher. As mulheres negras são ainda mais violentadas. Apenas entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse período. Muitas vezes, são os próprios familiares (50,3%) ou parceiros/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos.
Com a Lei 13.140, aprovada em 2015, o feminicídio passou a constar no Código Penal como circunstância qualificadora do crime de homicídio. A regra também incluiu os assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima no rol dos crimes hediondos, o que aumenta a pena de um terço (1/3) até a metade da imputada ao autor do crime. Para definir a motivação, considera-se que o crime deve envolver violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
