Por Planalto, Maia monta equipe e agenda viagens
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desceu do
muro, assumiu sua pré-candidatura à Presidência da República em outubro e
já monta até equipe. No próximo sábado, dia 13, Maia embarca para os
Estados Unidos para estrear como presidenciável no ambiente
internacional, enquanto encorpa sua agenda de viagens internas com o
objetivo de consolidar uma aliança de pelo menos quatro partidos para a
largada. Além do DEM, tem conversas avançadas com PP e Solidariedade e
namora PSD, PR e PRB, sonhando em atrair apoios em dois dos maiores
partidos, PSDB e MDB.
Em sua viagem para Washington e Nova York,
Maia terá encontros com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), o
português Antonio Guterres, dará entrevista para o jornal “The
Washington Post” e pretende incluir um jantar com jornalistas e
diplomatas. Depois, seguirá para Cancún, para um fórum econômico. Na
volta a Brasília, ele poderá assumir a Presidência, caso Michel Temer
mantenha a ida ao Fórum de Davos, na Suíça.
A primeira reação de Maia quando seu nome
começou a ser considerado como “candidato de centro” foi refutar a
ideia. Primeiro, avançou e depois recuou nas articulações para assumir a
vaga de Temer caso as denúncias do então procurador-geral da República,
Rodrigo Janot, vingassem. Dizia e repetia que era cedo para almejar
algo tão pretensioso e argumentava: “Sei do meu tamanho”. Porém, a
pressão aumentou e ele agora assume que é pré-candidato.
Na manhã desta terça-feira, 9, Maia recebeu um telefonema do
ex-presidente do PSDB senador Aécio Neves (MG) para elogiar uma frase
sua ao jornal O Globo: “Eu não tenho problema de correr risco, mas não
estou disposto a participar de uma aventura”. O jogo de palavras, entre
“risco e aventura”, remete a um discurso histórico do avô de Aécio,
Tancredo Neves, que foi eleito presidente por votação indireta, em 1985,
mas ficou doente e nunca assumiu. Na ligação, Aécio comemorou: “Você
está começando bem!”.
Atrair parcelas do PSDB para sua eventual
campanha presidencial faz parte da estratégia de Maia, que não admite
nem para os aliados mais próximos, mas tem até um nome tucano para
integrar como vice sua chapa: o de Antonio Anastasia, que é aliado de
primeira hora de Aécio, foi governador de Minas, é considerado um bom
técnico e um senador muito respeitado.
