MPF pede a Moro para aumentar pena de Palocci e de outros réus em processo da Lava Jato
Procuradores querem que o juiz reconsidere o cálculo da pena e condene ex-assessor de Palocci, que tinha sido absolvido.
O
MInistério Público Federal (MPF) pediu ao juiz Sérgio Moro que aumente as penas aplicadas contra o ex-ministro Antônio
Palocci, que foi condenado a 12 anos e dois meses de prisão. No
processo, o político foi acusado de receber propina para ajudar a Odebrecht a
fechar contratos ilícitos com a Petrobras.
Na ação penal, os
procuradores falam que Palocci recebeu cerca de R$ 128 milhões. Desse montante,
US$ 10,2 milhões foram repassados aos publicitários João Santana e Mônica
Moura, ex-marqueteiros do Partido dos Trabalhadores (PT). O processo trata
apenas desse repasse específico ao casal.
Além da revisão da pena
de Palocci, os procuradores querem que Moro reveja as penas aplicadas
ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, ao ex-diretor da Petrobras, Renato
Duque, e ao ex-executivo da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas.
No mesmo pedido, o MPF
pediu a condenação do ex-assessor de Palocci, Branislav Kontic, que tinha sido
absolvido pelo juiz. Para os procuradores, está mais do que comprovada a participação
dele nos crimes cometidos por Palocci e os demais réus.
Em nenhum momento do
pedido, porém, o MPF detalha quanto tempo a mais poderia ser aplicado às penas
dos réus. Eles alegam apenas que Moro deveria considerar a prática reiterada
dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, para recalcular as punições.
Benefícios a Renato Duque
Na sentença, o juiz
Sérgio Moro disse que, apesar da falta de acordo formal de delação premiada com
o Ministério Público, poderia conceder alguns benefícios a Renato Duque, porque
ele confessou os crimes, apresentou informações sobre o esquema criminoso e se
comprometeu a devolver mais de 20 milhões de euros que estão bloqueados em
contas no exterior.
O MPF, no entanto,
entendeu que Duque não tentou colaborar em nenhum momento. Segundo os
procuradores, ao contrário, o ex-gerente da Petrobras tentou afastar a própria
responsabilidade no caso, atribuindo a participação de outras pessoas nos
desvios que cometeu.
