Os
procuradores do Ministério Público Federal que atuam na Operação Lava Jato
criticaram a decisão da Polícia Federal de alterar a forma de trabalho dos
delegados que atuam na força-tarefa que investiga os desvios de recursos da
Petrobras. Em decisão divulgada nesta quinta-feira (6), a PF decidiu deslocar os investigadores exclusivos para
a Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas (Delecor).
Com a medida, os
investigadores que atuavam na Lava Jato e também na Operação Carne Fraca,
passarão a assumir também inquéritos de outras investigações em andamento pela
PF no Paraná, relacionados a crimes econômicos.
"A anunciada
integração, na Polícia Federal, do Grupo de Trabalho da Lava Jato à Delegacia
de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas, após a redução do número de
delegados a menos de metade, prejudica as investigações da Lava Jato e
dificulta que prossigam com a eficiência com que se desenvolveram até
recentemente", diz.
Para o MPF, a medida
gera redução no número de policiais ativos na Lava Jato. "O efetivo da
Polícia Federal na Lava Jato, reduzido drasticamente no governo atual, não é
adequado à demanda. Hoje, o número de inquéritos e investigações é restringido
pela quantidade de investigadores disponível", diz nota enviada pela
Procuradoria da República no Paraná.
A procuradoria
contrapõe a posição da PF afirmando que houve aumento no número de procuradores
para atuarem na Lava Jato, ao passo em que a Superintendência da PF tee redução
no número de delegados nos últimos meses.
"A necessidade
evidente de serviço, decorrente inclusive do acordo feito com a Odebrecht,
determinou que a equipe do Ministério Público Federal na Lava Jato em Curitiba
tenha aumentado, o que ocorreu em paralelo ao aumento das equipes da Lava Jato
no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, no mesmo período em que a Polícia
Federal reduziu a equipe e dissolveu o Grupo de Trabalho da Lava Jato em
Curitiba", diz outro trecho da nota.