As péssimas notícias para Temer enquanto ele viajava pela Europa
A ideia
era mostrar que o Brasil vive situação de normalidade, mas viagem do presidente
para Rússia e Noruega evidenciou a crise que balança o governo
Na maioria das
vezes, uma crise política interna é a justificativa mais do que necessária para
um chefe de Executivo cancelar compromissos internacionais.
Para o presidente Michel Temer, a viagem para a
Rússia e Noruega na última semana seria o gancho necessário para mostrar que a
vida segue – apesar de seu mandato estar por um fio há mais de um mês.
Mas, mesmo longe das fronteiras
nacionais, a crise não deu trégua – e o assunto foi evocado até mesmo pela primeira-ministra da
Noruega, Erna Solberg, que disse a Temer que o país nórdico está
preocupado com a Lava Jato e
que o Brasil precisaria encontrar uma solução para a corrupção.
De volta ao país (e para seus
problemas) neste sábado, Temer tem um compilado de más notícias para encarar,
além de uma semana que promete a abertura da primeira
denúncia penal contra um presidente em exercício. Haja inferno
astral.
O resultado da perícia da gravação de Joesley
Segundo informações do jornal O
Estado de S. Paulo divulgadas na noite de ontem, a perícia da Polícia Federal (PF) concluiu
que a gravação da conversa entre o empresário Joesley Batista, da J&F, e o
presidente Michel Temer, em
7 de março no Palácio do Jaburu, não foi editada. Segundo
os peritos, o gravador usado por Batista durante o diálogo pausa a gravação
automaticamente em momentos de silêncio e retoma quando identifica som.
O laudo contesta uma das
principais teses da defesa de Temer em torno dos questionamentos à
integridade dos áudios. Na última quinta-feira, o responsável pela defesa
do presidente, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, admitiu que seria
difícil pedir a anulação do acordo de colaboração premiada de Joesley Batista
se a PF não mostrasse adulteração na gravação da conversa do empresário com
Temer.
A validação do depoimento dos irmãos Batista
Os ministros do STF ainda não
chegaram a um veredito sobre o julgamento de questões (aparentemente) técnicas
do caso JBS, o cenário que se desenha até agora não é favorável para o
presidente Michel Temer. Até o momento, sete de 11 ministros já votaram
a favor da manutenção do relator, o ministro Edson Fachin, e pela
validade das delações do grupo J&F.
A expectativa era de que, diante
de um resultado mais apertado ou crítico para Fachin, o Planalto poderia entrar
com mais recursos contra o acordo firmando entre a Procuradoria-Geral da
República e os irmãos Batista. Diante do que se discutiu até agora no pleno da
corte, não sobraram brechas para isso.
A ofensiva frustrada
Antes de seguir viagem para a
Rússia, o presidente entrou com duas ações contra o dono da JBS, Joesley
Batista, por danos morais e crimes contra a honra depois que o empresário
afirmou, em entrevista à revista Época, que Temer seria o chefe da
organização criminosa investigada na Lava Jato. A ofensiva
rendeu mais uma derrota para o peemedebista já que a Justiça rejeitou os pedidos.
O soluço na tramitação da reforma trabalhista
O avanço da reforma trabalhista
no Congresso era um sinal para o Palácio do Planalto de que a articulação
política do presidente com a base estava firme e forte – mesmo com todos os
problemas.
Essa sintonia entre aliados e
governo é fundamental para a prova de fogo que Temer deve passar nos próximos
dias com o provável oferecimento da denúncia contra ele pelo procurador-geral
da República, Rodrigo Janot. A análise do caso pelos ministros do Supremo
Tribunal Federal depende de aval de dois terços da Câmara dos Deputados.
A rejeição do parecer favorável à
reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) na última terça
foi uma amarga surpresa para o governo e um sinal de que a articulação do
governo não está tão nos trinques como se imaginava. (Leia: Reforma trabalhista: sinal de
desarticulação surpreende analistas)
A saia-justa na Noruega
Antes das críticas da
primeira-ministra norueguesa e das gafes de Temer durante discurso,
a viagem do peemedebista para a Noruega já estava fadada ao constrangimento.
Dias antes da viagem, o ministro
do Meio Ambiente da Noruega, Vidar Helgesen, havia enviado uma carta ao
ministro do Meio Ambiente Sarney Filho exigindo providências do governo
brasileiro para estancar o desmatamento da Amazônia. Vale lembrar que o país
nórdico é o principal investidor do Fundo Amazônico.
Pois bem. Em plena viagem
oficial do presidente , o governo da Noruega anunciou um corte de pelo menos
50% nos repasses para salvar a floresta com a ameaça de suspensão completa da
ajuda ambiental.
Os EUA e a carne fraca
Se o que está ruim pode piorar,
na quinta, o governo americano anunciou a suspensão de todas as
importações de carne bovina in natura do Brasil. A
suspensão ficará em vigor até que o Ministério da Agricultura brasileiro adote
medidas que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) considere
satisfatórias. (Fonte: EXAME.com - O Título é nosso))
