quinta-feira, 22 de junho de 2017

A CORRUPÇÃO ENDÊMICA NO BRASIL ESTÁ EM TODOS OS LUGARES



MPF-AL denuncia Celso Luiz e outras 6 pessoas por desvio de R$ 15 milhões da prefeitura de Canapi
Procurador da República solicitou ainda a manutenção da prisão dos envolvidos no esquema de corrupção que desviava recursos federais.
O Ministério Público Federal em Alagoas (MPF-AL) divulgou, nesta quarta-feira (21), que a Procuradoria da República no Município de Arapiraca (PRM), denunciou o ex-prefeito do município de Canapi, Celso Luiz Tenório Brandão, e outros seis pessoas pelos desvio de R$ 15 milhões em recursos públicos.
Na denúncia, que é resultado da operação da Polícia Federal denominada “Triângulo das Bermudas”, foram inseridos o ex-vice-prefeito Genaldo Soares Vieira, o ex-secretário municipal de Finanças Carlos Alberto dos Anjos Silva e o ex-secretário municipal de Assuntos Estratégicos Jorge Valença Neves Neto, além de outras três pessoas, pelos crimes de lavagem de dinheiro, desvio de verbas públicas federais e organização criminosa.
Segundo o MPF, no primeiro momento foi apresentado apenas uma denúncia parcial, considerando que há réus presos e que a complexidade dos fatos demandam mais investigações e análises por parte do órgão ministerial. Na ocasião, o órgão registrou a necessidade de manutenção da prisão preventiva de quatro denunciados, ao considerar que em liberdade eles poderão atuar para atrapalhar a investigação.
De acordo com as investigações realizadas, há indícios suficientes de que os denunciados foram os responsáveis por, em período pouco maior do que um ano, desviar mais de R$ 15 milhões, considerando apenas as verbas depositadas a partir de precatório pago pela União, sendo que antes desse depósito, muitos recursos já vinham sendo desviados pela organização criminosa denunciada.
O inquérito policial instaurado para apurar irregularidades praticadas pelos gestores do município de Canapi, entre os anos de 2013 e 2016, constatou ainda a utilização irregular de precatórios relacionados a crédito judicial do extinto Fundef, atual Fundeb. Verba federal que deveria ser investida exclusivamente na educação.

Esquema

Segundo a investigação o esquema de corrupção envolvia os recursos que eram transferidos das contas do Fundef/Fundeb para outras contas do município ou diretamente para as contas de “laranjas”.
A partir dessas contas particulares ou da própria conta pública da prefeitura, novas transferências para outras pessoas ou saques em espécie eram realizados. Os “laranjas” eram pessoas humildes e pouco estudo de Canapi e Mata Grande que foram ludibriadas pela quadrilha para lhes ceder o nome, conta bancária e procuração.
Para o MPF, o ex-prefeito Celso Luiz atuou como chefe da organização criminosa enquanto os demais denunciados foram operadores do esquema de desvio dos recursos públicos.
Constatou-se que a totalidade dos recursos oriundos de crédito judicial – precatório – depositados nas contas do Fundeb de Canapi foram desviados.
Em 2016, a Justiça bloqueou as contas do município porque constatadas as transferências indevidas de R$ 8.316.763,51, em 2015, e mais RS 2.397.313,50, em 2016, para contas de terceiros.
Mas, no final de 2016, o vice-prefeito que assumiu a prefeitura com o afastamento de Celso Luiz desviou o restante das verbas do precatório, quase R$ 6.920.894,46.

Prisões

O MPF informou ainda que solicitou a manutenção das prisões preventivas de Celso Luiz, Genaldo Vieira, Carlos Alberto dos Anjos e Jorge Valença. Na visão do procurador, as detenções devem ser mantidas para garantir a ordem econômica e as investigações, tendo em vista que os recursos desviados ainda não foram localizados.
Segundo o procurador da República Carlos Eduardo Raddatz, “não se pode conceber que permaneçam em liberdade criminosos, sobretudo aqueles econômica e politicamente poderosos, que estão em plena prática dos delitos, vale dizer, permanecem ocultando os valores desviados e os utilizando, em detrimento de todos os munícipes de Canapi”, expôs.(Fonte: G1)