sábado, 8 de abril de 2017

LIXO NAS RUAS - GARIS PARAM EM RECIFE

Garis do Recife suspendem as atividades e dizem que não vão recolher lixo no fim de semana (G1-PE)
Três mil trabalhadores de duas empresas fizeram assembleia e paralisaram serviços nesta sexta (7). Por dia, são coletadas 1.600 toneladas de material.
Os três mil trabalhadores de duas empresas contratadas para fazer a coleta de lixo no Recife paralisaram as atividades nesta sexta-feira (7). Os funcionários da Vital Engenharia e da Cael realizaram assembleia durante a manhã a afirmaram que ficarão sem trabalhar até a segunda-feira (10), suspendendo os serviços no fim de semana.
A Prefeitura do Recife informou que vai tentar conseguir a retomada das atividades da categoria por meio de ação judicial. Segundo a assessoria de comunicação da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana da cidade (Emlurb), essa é a única atitude a ser tomada pelo poder público, uma vez que o serviço é terceirizado.
A paralisação dos garis deverá provocar o acúmulo de lixo nas ruas da capital pernambucana. De acordo com a Emlurb, por dia, são retiradas das vias públicas 1.600 toneladas de material. As duas empresas movimentam diariamente 40 caminhões compactadores.
De acordo com a Força Sindical, que coordena o movimento dos trabalhadores de coleta de lixo no Recife, a paralisação foi definida em encontro comandado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio e Conservação de Pernambuco.
O presidente da Força Sindical em Pernambuco, Rinaldo Júnior, informou que a paralisação foi deflagrada por causa de uma decisão do Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão proibiu que garis andem pendurados na carroceria de caminhões compactadores.
Para a entidade, essa decisão do MPT pode desencadear um grande número de demissões. “O número de garis foi limitado, pois eles não podem mais andar nas carrocerias. Em vez de uma equipe de três trabalhadores, serão dois homens e o motorista, já que todos têm que ficar na boleia do caminhão. Tememos que isso provoque muitas demissões”, afirmou.
Além disso, destaca o sindicalista, há o problema das condições de trabalho. “Como os garis não podem mais ficar pendurados nos caminhões, são obrigados a andar até 11 quilômetros na jornada de trabalho, que também será ampliada. Isso piora a situação dos trabalhadores”, declara.

Poder público

Por meio de nota, a Emlurb informou que está monitorando a paralisação das empresas responsáveis pela limpeza urbana da cidade e que está buscando junto ao Ministério Público do Trabalho uma medida cautelar para que o serviço seja retomado imediatamente. O problema é decorrente de uma situação exclusiva entre as empresas e a justiça do trabalho.
O município está atuando na tentativa de contribuir para que as partes entrem em acordo, uma vez que a população não pode ser prejudicada, sobretudo, nesse período de inverno, quando o descarte de lixo pode provocar problemas ainda mais sérios como alagamentos e deslizamento de barreiras. A Emlurb reforça, ainda, que está em dia com os pagamentos das terceirizadas.