O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, reagiu nesta quarta-feira (22) às recentes
declarações de que integrantes do Ministério Público Federal (MPF) teriam
realizado uma “entrevista coletiva” informal com jornalistas para vazar
informações sigilosas da Operação Lava Jato. Sem especificar os autores, ele
classificou manifestação recente sobre o assunto de “disenteria verbal”.
Ontem (21), o ministro Gilmar Mendes,
do Supremo Tribunal Federal (STF), fez um duro discurso com críticas à
Procuradoria-Geral da República (PGR), durante a abertura de uma sessão da
Segunda Turma da Corte, colegiado responsável por julgar as questões relativas
à Lava Jato.
O ministro acusou a PGR de ter vazado
para a imprensa parte dos nomes de pessoas citadas nos depoimentos de delação
premiada de ex-executivos da empreiteira Odebrecht, que se encontram sob segredo
de Justiça. Ele fez alusão a uma possível anulação de provas em decorrência dos
vazamentos.
Gilmar Mendes fez referência a um
artigo publicado no domingo no jornal Folha de S.Paulo. Segundo o texto, a
procuradoria divulgou extraoficialmente, em uma reunião com jornalistas, parte
dos nomes de políticos que são alvo dos 83 pedidos de inquérito sigilosos
enviados por Janot ao STF na semana passada.
“É uma mentira, que beira a irresponsabilidade,
afirmar que realizamos, na Procuradoria-Geral da República, coletiva de
imprensa para ‘vazar’ nomes da Odebrecht”,
afirmou Janot nesta quarta-feira. “Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e
dadas a devaneios, mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e
desvirtuar instrumentos legítimos de comunicação institucional.”
Janot fez o pronunciamento no
encerramento de uma reunião de avaliação das eleições de 2016, realizada na
Escola Superior do Ministério Público da União, em Brasília, na manhã de hoje.
Para uma plateia composta por procuradores e jornalistas, Janot disse que “em
projeção mental, alguns tentam nivelar todos à sua decrepitude moral”.
“Para isso acusam-nos de condutas que lhes são
próprias, socorrendo-se não raras vezes da aparente intangibilidade
proporcionada pela posição que ocupam no Estado”, acrescentou, numa referência a pessoas que gozam
de proteção jurídica especial, como é o caso de ministros do STF.
“Procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos.
Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder
político. E repudiamos a relação promíscua com a imprensa“, disse Janot aos procuradores.
“Mentira”
No artigo da Folha de S.Paulo, há
críticas às chamadas “coletivas em off”,
quando os jornalistas se comprometem em não revelar a fonte das informações, o
que, segundo o texto, é uma prática não só no relacionamento da imprensa com
membros do MPF, como também com integrantes do Congresso Nacional, do Palácio
do Planalto e, inclusive, do Supremo Tribunal Federal. Antes de encerrar, Janot
reforçou que é uma “mentira” a existência de tal prática no Ministério Público.
Logo no início de seu pronunciamento,
Janot disse que leria seu discurso para evitar “arroubos verbais”, mas, em uma
parte em que resolveu falar de improviso, disse: “Apesar da imputação expressa ao Supremo
Tribunal Federal, não ouvi uma só palavra, de quem teve uma disenteria verbal
ao se pronunciar, sobre essa imputação ao Palácio do Planalto, Congresso e STF“.
Informações da Agência Brasil.
