A direita veste a camisa
Sites especializados em camisetas com mensagens de direita aproveitam a polarização política e o ano de eleição para transformar ideologia em lucro
Poucos segmentos são tão propícios a transformar instantaneamente
tendências em mercadoria quanto o universo das lojas de camiseta
on-line. Um novo meme viraliza na rede e... pimba! Com poucos cliques, o
desenho chega à estamparia e no dia seguinte, literalmente, a camiseta
está disponível na web. Também por isso as lojas de camisetas on-line
são um excelente termômetro para captar tendências, modismos e mudanças
culturais. Siga as estampas em tecido de algodão e descubra as últimas
polêmicas do momento. Num país em convulsão política há pelo menos cinco
anos, a polarização ideológica não poderia ficar de fora desse
universo. Se as estampas com Che, Fidel e a foice e o martelo se
tornaram clichês da esquerda, a novidade vem agora da direita, na
esteira do crescimento da onda conservadora.
Rostos como o do deputado Jair Bolsonaro,
o ex-capitão do Exército que pretende disputar a Presidência da
República, e do filósofo Olavo de Carvalho são os destaques de lojas
on-line, como Vista Direita, Tomando Partido, DireitaStore e Camisetas
Opressoras, que se especializaram em produzir camisetas para um público
com afinidade com a ideologia de direita. Com exceção da Tomando
Partido, criada em 2014, as demais não têm mais de um ano de operação.
O
Camisetas Opressoras e o DireitaStore são praticamente monotemáticos.
Afora uma estampa ou outra, com apologias aos falecidos Enéas Carneiro
(do bordão “Meu nome é Enéas!”), Carlos Alberto Brilhante Ustra (o
coronel do Exército acusado de comandar torturas no DOI-Codi de São
Paulo durante a ditadura), o principal item de venda são camisetas com a
efígie de Bolsonaro. As lojas Tomando Partido e Vista Direita adotam
uma estratégia voltada para um público mais intelectualizado. Suas
camisetas trazem imagens do teórico conservador irlandês Edmund Burke,
dos economistas austríacos liberais Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e
Carl Menger e do libertário americano Murray Rothbard, economista pai
do “anarcocapitalismo”, numa leitura muito mais pop do que suas figuras
costumam evocar.