segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A DIREITA SE ORGANIZA


A direita veste a camisa


Sites especializados em camisetas com mensagens de direita aproveitam a polarização política e o ano de eleição para transformar ideologia em lucro 

Poucos segmentos são tão propícios a transformar instantaneamente tendências em mercadoria quanto o universo das lojas de camiseta on-line. Um novo meme viraliza na rede e... pimba! Com poucos cliques, o desenho chega à estamparia e no dia seguinte, literalmente, a camiseta está disponível na web. Também por isso as lojas de camisetas on-line são um excelente termômetro para captar tendências, modismos e mudanças culturais. Siga as estampas em tecido de algodão e descubra as últimas polêmicas do momento. Num país em convulsão política há pelo menos cinco anos, a polarização ideológica não poderia ficar de fora desse universo. Se as estampas com Che, Fidel e a foice e o martelo se tornaram clichês da esquerda, a novidade vem agora da direita, na esteira do crescimento da onda conservadora.
Rostos como o do deputado Jair Bolsonaro, o ex-capitão do Exército que pretende disputar a Presidência da República, e do filósofo Olavo de Carvalho são os destaques de lojas on-line, como Vista Direita, Tomando Partido, DireitaStore e Camisetas Opressoras, que se especializaram em produzir camisetas para um público com afinidade com a ideologia de direita. Com exceção da Tomando Partido, criada em 2014, as demais não têm mais de um ano de operação.
O Camisetas Opressoras e o DireitaStore são praticamente monotemáticos. Afora uma estampa ou outra, com apologias aos falecidos Enéas Carneiro (do bordão “Meu nome é Enéas!”), Carlos Alberto Brilhante Ustra (o coronel do Exército acusado de comandar torturas no DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura), o principal item de venda são camisetas com a efígie de Bolsonaro. As lojas Tomando Partido e Vista Direita adotam uma estratégia voltada para um público mais intelectualizado. Suas camisetas trazem imagens do teórico conservador irlandês Edmund Burke, dos  economistas austríacos liberais Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Carl Menger e do libertário americano Murray Rothbard, economista pai do “anarcocapitalismo”, numa leitura muito mais pop do que suas figuras costumam evocar.