As reformas da Previdência e o mito da reeleição de deputados
Pesquisadores dizem que a chance de um parlamentar conquistar novo mandato independe de votar a favor ou contra mexidas na aposentadoria
Votar a favor ou contra as reformas da Previdência não afeta
a probabilidade de um deputado federal se reeleger no Brasil. É o que
aponta pesquisa da cientista política Carolina Botelho, da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro, e de Paulo Tafner, pesquisador da Fundação
Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Carolina e Tafner analisaram as votações das reformas da Previdência aprovadas em 1998 e 2003 – nos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva,
respectivamente – e o resultado das eleições para a Câmara dos
Deputados em 2014. Verificaram que 62% dos deputados que apoiaram as
reformas (de FHC, Lula ou ambas) foram reeleitos na eleição passada.
Entre aqueles que votaram contra, o percentual foi igual: 62% também
foram reeleitos para a legislatura atual.
Ao
que parece, os deputados terão até fevereiro para pensar sobre o
assunto. Nesta quarta-feira (13), o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), afirmou que a votação da reforma da Previdência ficará para a volta dos trabalhos do Congresso em 2018.