Deputado do PMDB será relator da denúncia contra Michel Temer
Sergio Zveiter desconversou sobre se o Palácio do Planalto teria a comemorar o fato de ele ser também do PMDB, partido de Temer
Escolhido pelo presidente da
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG),
relator da denúncia contra o presidente Michel Temer, o deputado Sergio
Zveiter (PMDB-RJ) afirmou na noite desta terça-feira que vai atuar com
“independência” e destacou que o seu compromisso é com o país.
Zveiter desconversou sobre se o
Palácio do Planalto teria a comemorar o fato de ele ser também do PMDB, partido
de Temer, “Não sei dizer”, afirmou.
Pouco antes, o presidente da CCJ
minimizara esse fato. “A questão de ser do PMDB não o descredencia, não há
vedação regimental”, destacou Pacheco.
O relator da denúncia disse que
vai se reunir com o presidente da comissão para avaliar o trâmite da denúncia,
uma vez que é a primeira vez que a Câmara se depara com a análise a respeito da
autorização para que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue se receberá a
acusação criminal contra o presidente. Segundo ele, há lacunas que precisam ser
resolvidas sobre o rito a ser adotado.
O deputado indicou que a CCJ
poderá adotar o mesmo rito do processo de impeachment da então presidente Dilma
Rousseff ano passado.
Zveiter não quis antecipar se as
cinco sessões regimentais previstas para a tramitação do processo é pouco ou
muito para a sua análise.
Zveiter também não adiantou se
vai aceitar pedidos feitos da oposição de produção de provas. Disse apenas que
existe essa possibilidade, mas tal matéria será analisada no devido tempo.
Destacou apenas que a última palavra, após a manifestação da CCJ, será do
plenário da Câmara.
O relator é advogado de carreira
e de uma família com forte atuação no Judiciário brasileiro. Ele presidiu a
seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Tanto parlamentares do governo,
quanto da oposição elogiaram a escolha. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ)
destacou o fato de Zveiter não ser um peemedebista orgânico. Em seu segundo
mandato, o relator está na terceira legenda – já passou pelo PDT e pelo PSD e
desde o ano passado está no PMDB.
“São vínculos menos fortes com o
partido”, avaliou Molon.
Um dos vice-líderes do PMDB e
indicado recentemente pela CCJ, o deputado Carlos Marun (MS) avaliou
positivamente a escolha. Disse que o relator é sereno, responsável e tem
conhecimento jurídico.
“Não vejo a mínima possibilidade
de ele inventar provas”, afirmou.
A base aliada de Temer quer
votar a análise na próxima semana, enquanto a oposição atua para atrasar, ao
máximo, a tramitação do caso. (Fonte: REUTERS - Revista EXAME.com))
