Cartel para
fraudar licitações tinha 35 'laranjas' atuando, diz Gaeco
Operação
Escamoteamento foi realizada na sexta-feira (7) e tinha como foco contratos
feitos com prefeituras. Oito empresários foram presos.
Trinta e cinco pessoas estão sendo investigadas
sob a suspeita de participação como ‘laranjas’ das 16 empresas fantasmas que
fraudavam licitações de prefeituras. Na manhã dessa segunda-feira (10), o Grupo
de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fez balanço da
Operação Escamoteamento e
confirmou que além dos beneficiários
do Bolsa Família e lavradores também participavam do esquema:
servidores públicos, credores do município e doadores de campanha da cidade de
Cocal.
"Essas pessoas usadas como laranjas receberam diversas
transferências bancárias das empresas investigadas. Por enquanto, elas foram
conduzidas coercitivamente e será investigada a participação de cada uma delas
no esquema. Um exemplo de laranja, era a copeira da prefeitura de Cocal, que
ganha um salário mínimo e chegou a receber R$ 100 mil das empresas
fantasmas", contou o promotor de Justiça Isobilino Pinheiro.
Oito empresários estão presos preventivamente e cinco continuam
foragidos. A operação foi realizada na sexta-feira (7) e tinha como foco
contratos feitos com a prefeitura de Cocal, no entanto, durante as
investigações o Gaeco descobriu que o grupo atuava em cidades do Piauí, Ceará e
Maranhão. A quadrilha tinham sedes em Tianguá, Ubajara, São Benedito e
Fortaleza, todas cidades cearenses.
Durante a coletiva, o promotor Isobilino Pinheiro
revelou que o cartel era comandado por dois irmãos, um está preso e outro
continua foragido. Como medida cautelar, o Ministério Público Estadual
solicitou a busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias, indisponibilidade
de bens e móveis e imóveis e sequestro de automóveis de luxo dos empresários
envolvidos.
"Todas as empresas possuem características iguais: saques de alto
valores, com sócios semelhantes, transferências bancárias entre as empresas, os
empresários matinnham amizade entre eles. Além disso, os empresários tinham os
mesmos responsáveis financeiros e sacadores", destacou.
Outra característica apontada pelo promotor foi que as empresas não
tinham capacidade operacional, ou seja, sem sede física, funcionários e
veículos. Ainda conforme o promotor, as empresas eram organizadas e o cartel
aperfeiçoado, já que todos ganhavam com o esquema de fraude.
"O que chama atenção desta organização criminosa é a pouca idade
dos envolvidos. Como é o caso uma empresária de 25 anos, que só em 2015 recebeu
um R$1, 6 milhão da prefeitura de Cocal”, acrescentou.
Participação de políticos
Sobre a participação de políticos, o promotor de
justiça comentou que até momento não há indícios da participação de prefeitos,
mas afirmou que há provas de que funcionários públicos estariam direcionando as
empresas fantasmas para as licitações. Entre os investigados estão o pregoeiro
e o presidente licitação da Prefeitura de Cocal. (Fonte: G1)
