Numa retrospectiva singela e visual, começo a imaginar que também sou um corrupto. Corrupto por não ter uma formação política perfeita. Por não ter afastado do meu ciclo aqueles que não conhecem e nem definem o que é "esquerda" e nem "direita". Que idolatram pessoas mesmo sabendo dos seus profundos erros. Já tive a desonra, alguns anos atrás, de ouvir referências a Paulo Maluf de um 'amigo' que dizia: "ele ROUBA MAIS FAZ". Aí me pergunto: "Qual educação política recebeu este "mui amigo?" Tal afirmativa estressa qualquer ouvido de pessoas com caráter e probidade.
Ouvi de DOM HÉLDER, certa vez quando morávamos na Casa do Estudante de Pernambuco - CEP, próximo a sua casa e fomos visitá-lo, eu e Dr. Eudes Fernandes, perguntei ao culto Arcebispo, em sua humilde e simples morada "o que o Senhor acha da esquerda brasileira?". Com sua voz mansa e após sermos servidos de um cafezinho, respondeu-nos que o "problema na política brasileira está na composição dos militantes, dos que estão no poder. Estes esquecem de governa para o povo".
Noutra investida a políticos de esquerda, novamente eu e o Dr. João Eudes, adentramos ao Comitê de Campanha do então candidato a Deputado Federal GREGÓRIO BEZERRA, que retornara do exílio. Numa imagem que até hoje guardo na mente, sentado e vestindo uma roupa de linho Branco, estávamos nós em frente a um dos mais brilhantes, corajoso, digno, educado e humilde político brasileiro. Atrás do seu birô, uma foto de Ernesto "Che" Guevara, com um charuto e os pés abotinados em cima do birô, Conversamos por uns trinta minutos e diante dos fatos narrados, assumimos o compromisso de votarmos em GREGÓRIO para Federal e JOARES JOSÉ GOMES para Estadual(hoje não sei o paradeiro deste último. Quanto a Gregório Bezerra, tornou-se este um constante visitante a minha cidade natal - Tuparetama, ficando hóspede na casa de meus familiares - Dona Quinininha, que posteriormente veio ser a Sogra de Eudes Fernandes).
Neste mesmo ano(1982), conheci o ex militante de esquerda e ex deputado, FRANCISCO JULIÃO das Ligas Componesas que me presenteou com o livro 'ATÉ QUARTA ISABELA'. Narrou-me das lutas travadas e os objetivos perseguidos por homens e mulheres que tinham a concepção política da participação de todos e que o governo deveria ser popular e não populista.
Homens da estirpe de GREGÓRIO BEZERRA, humilde iniciou-se na carreira política e com humildade maior faleceu, sem riquezas mas, com um caráter de fazer inveja aos mais honestos homens, fato de ter lutado pelo bem estar de todos e jamais uma luta 'una' para o seu favorecimento, merece, sem dúvidas, o respeito de todas as pessoas de bem.
CHICO JULIÃO, me mostrou que a 'luta' política tem que ser igualitária, sem colocar o 'eu' em primeiro lugar, porém, o povo.
DOM HÉLDER, magistral homem do povo, que recebeu várias indicações para o prêmio Nobel da Paz, disse-nos que o "político é que faz o meio", trocando em miúdos. Ou seja, olha primeiro para si e depois para os outros.
No dicionário das três personagens do bem aqui citadas, não consta a palavra "corrupto", porém, respeito ao povo, sim! É o que deveriam ter todos os políticos brasileiros, uma vez que, se dissermos "xô ladrão", o Congresso Brasileiro, as Casas Legislativas de todo o País e o Executivo, sem dúvidas, sofrerão uma imensa revolução.
Joel Gomes
