Jornal qualificado de extrema esquerda, ex defensor de LULA e do PT, imprime uma política desqualificadora do ex presidente. Recordo-me, quando em Recife fui um dos 'cooptados' pelo MR8 para vendas do Jornal. Fiz andanças e, na época, consegui umas três ou quatro assinaturas. Como tinha sonhos revolucionários, me imaginava nas fileiras das guerrilhas e, por achar que LEILA ABREU, MOISÉS, EDNA COSTA, CAJÁ e tantos outros mendigavam o mesmo pensamento que eu, fiz ofício das minhas passadas e um projeto de vida político sob as doutrinas esquerdistas. Após alguns conhecimentos obtidos, descobrimos que nós pensávamos positivamente, enquanto nossos líderes...
Hoje, leio perplexo as matérias do HP e não sei encontrar o caminho de quem está certo ou errado na política brasileira.
Veja a matéria do Hora do Povo sobre a manifestação contra as reformas trabalhistas e previdenciárias e a correlação entre o ex presidente e sua fala no evento:
"Lula
diz que quer resolver o “problema” da Previdência com Henrique Meirelles
Disse Lula, em sua
aparição, na manifestação contra o roubo da Previdência, na avenida Paulista,
em São Paulo: "... o
golpe dado nesse país não foi apenas contra a Dilma, foi para colocar um
cidadão sem nenhuma legitimidade para acabar com as conquistas da classe
trabalhadora, com a reforma trabalhista e da Previdência. Eu gostaria que o
Meirelles estivesse ouvindo, que um dia nós resolvêssemos o problema da
Previdência, ao invés de fazer uma reforma para tirar direitos".
Será que não restou a
Lula nem um restículo de decência?
O gato se pega pelo rabo.
Que "problema" da Previdência? É óbvio, ele considera que há um
"problema" da Previdência, que é o mesmo que Meirelles diz que
existe. Se não fosse assim, não diria "eu gostaria que o Meirelles
estivesse ouvindo, que um dia nós resolvêssemos o problema da
Previdência", etc.
Lula não tem escrúpulos
em despejar essa demagogia - o contrário do que acha - sobre o povo que
realmente estava ali para barrar o ataque à Previdência. Lula, estava lá para
escapar da cadeia – quer se eleger, aplicando mais um estelionato eleitoral.
Quanto ao Brasil e seu povo...
Há pouco mais de um ano,
Lula declarou que a Previdência devia ser reformada porque "quando a
lei foi criada, se morria com 50 anos. Hoje, a expectativa de vida é de 75 anos"
(entrevista, 20/01/2016).
Qual a diferença disso
para Meirelles e Temer?
Lula não protestou – pelo
contrário, apoiou – quando Dilma iniciou o ataque à Previdência, cortando as
pensões por morte, o seguro desemprego (em meio à recessão mais grave da
História do país) e enviou ao fórum previdenciário a proposta de que a idade
mínima para se aposentar fosse, tanto para homens quanto para mulheres, 68
anos.
Porém, a prova mais
irretorquível de seu apoio ao ataque às aposentadorias é a sua ligação com
Meirelles – funcionário pago até hoje pelo BankBoston, uma divisão do Bank of
America – que ele nomeou para o BC, protegeu das investigações do Caso
Banestado, e queria como ministro da Fazenda de Dilma.
Para que Meirelles na
Fazenda? Evidentemente, para fazer o que está fazendo, ao atacar a Previdência
e devastar as contas públicas. Esse é o único "programa" de Meirelles.
Na entrevista que
citamos, disse Lula: "Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem
uma viva alma mais honesta do que eu. A apuração de corrupção é um bem desse
país. Duvido que tenha um promotor, delegado, empresário que tenha a coragem de
afirmar que eu me envolvi em algo ilícito".
As coisas mudam, mas,
quanto à Previdência, esse é um dos "resquícios" do getulismo que
Lula sempre detestou. Aliás, ele promoveu uma "reforma" na
Previdência dos funcionários públicos, e, quando prorrogou por quatro anos a
Desvinculação dos Recursos da União (DRU), desviando 20% dos recursos da
Previdência para o "superávit primário" - isto é, para os juros aos
bancos - não teve pejo em dizer o seguinte, na Exposição de Motivos: "Embora
os indicadores da economia nacional estejam, hoje, bem melhores do que no
passado, a cautela exige que se mantenha vigente tal comando até que as
condições macroeconômicas e as incertezas do cenário internacional desapareçam".
Parece escrito por
Meirelles. Na época, "o país apresentava taxas de desemprego recordes (na
Grande São Paulo, o desemprego atingia 20,6% da população ocupada e, de acordo
com o IBGE, 14,6%), a taxa nominal de juros básica era de 26,5% e a demanda
apresentava claros indicadores de retração da economia. No entanto, chama
cinicamente de cautela o expediente da desvinculação de
recursos da seguridade para engrossar o superávit primário exigido pelo
FMI" (Rosa Maria Marques Áquilas Mendes, "O governo Lula e a
contra-reforma previdenciária", São Paulo em Perspectiva, 18(3), 2004,
p. 6).
Em seu recente encontro
com Temer, quando disse "não se faz reforma da Previdência com o país em
recessão", ouviu a resposta: "você também fez". Mas Lula
aconselhou Temer sobre "a melhor forma de aprovar a reforma da
Previdência. Seria um erro afirmar que a Previdência está quebrada. O correto,
disse Lula, seria alegar que a aposentadoria das futuras gerações está em
jogo" (HP 08/02/2017).
A propósito, é verdade
que Temer é "um cidadão sem nenhuma legitimidade". Mas quem o colocou
no poder foi Lula – e Dilma. Quem o escolheu duas vezes para a
vice-presidência?"
CARLOS LOPES
