sábado, 18 de março de 2017

O HORA DO POVO E A CRÍTICA A LULA(NÃO ENTENDO O PORQUÊ?)

Jornal qualificado de extrema esquerda, ex defensor de LULA e do PT, imprime uma política desqualificadora do ex presidente. Recordo-me, quando em Recife fui um dos 'cooptados' pelo MR8 para vendas do Jornal. Fiz andanças e, na época, consegui umas três ou quatro assinaturas. Como tinha sonhos revolucionários, me imaginava nas fileiras das guerrilhas e, por achar que LEILA ABREU, MOISÉS, EDNA COSTA, CAJÁ e tantos outros mendigavam o mesmo pensamento que eu, fiz ofício das minhas passadas e um projeto de vida político sob as doutrinas esquerdistas. Após alguns conhecimentos obtidos, descobrimos que nós pensávamos positivamente, enquanto nossos líderes...  
Hoje, leio perplexo as matérias do HP e não sei encontrar o caminho de quem está certo ou errado na política brasileira.
Veja a matéria do Hora do Povo sobre a manifestação contra as reformas trabalhistas e previdenciárias e a correlação entre o ex presidente e sua fala no evento:   
"Lula diz que quer resolver o “problema” da Previdência com Henrique Meirelles
Disse Lula, em sua aparição, na manifestação contra o roubo da Previdência, na avenida Paulista, em São Paulo: "... o golpe dado nesse país não foi apenas contra a Dilma, foi para colocar um cidadão sem nenhuma legitimidade para acabar com as conquistas da classe trabalhadora, com a reforma trabalhista e da Previdência. Eu gostaria que o Meirelles estivesse ouvindo, que um dia nós resolvêssemos o problema da Previdência, ao invés de fazer uma reforma para tirar direitos".
Será que não restou a Lula nem um restículo de decência?
O gato se pega pelo rabo. Que "problema" da Previdência? É óbvio, ele considera que há um "problema" da Previdência, que é o mesmo que Meirelles diz que existe. Se não fosse assim, não diria "eu gostaria que o Meirelles estivesse ouvindo, que um dia nós resolvêssemos o problema da Previdência", etc.
Lula não tem escrúpulos em despejar essa demagogia - o contrário do que acha - sobre o povo que realmente estava ali para barrar o ataque à Previdência. Lula, estava lá para escapar da cadeia – quer se eleger, aplicando mais um estelionato eleitoral. Quanto ao Brasil e seu povo...
Há pouco mais de um ano, Lula declarou que a Previdência devia ser reformada porque "quando a lei foi criada, se morria com 50 anos. Hoje, a expectativa de vida é de 75 anos" (entrevista, 20/01/2016).
Qual a diferença disso para Meirelles e Temer?
Lula não protestou – pelo contrário, apoiou – quando Dilma iniciou o ataque à Previdência, cortando as pensões por morte, o seguro desemprego (em meio à recessão mais grave da História do país) e enviou ao fórum previdenciário a proposta de que a idade mínima para se aposentar fosse, tanto para homens quanto para mulheres, 68 anos.
Porém, a prova mais irretorquível de seu apoio ao ataque às aposentadorias é a sua ligação com Meirelles – funcionário pago até hoje pelo BankBoston, uma divisão do Bank of America – que ele nomeou para o BC, protegeu das investigações do Caso Banestado, e queria como ministro da Fazenda de Dilma.
Para que Meirelles na Fazenda? Evidentemente, para fazer o que está fazendo, ao atacar a Previdência e devastar as contas públicas. Esse é o único "programa" de Meirelles.
Na entrevista que citamos, disse Lula: "Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. A apuração de corrupção é um bem desse país. Duvido que tenha um promotor, delegado, empresário que tenha a coragem de afirmar que eu me envolvi em algo ilícito".
As coisas mudam, mas, quanto à Previdência, esse é um dos "resquícios" do getulismo que Lula sempre detestou. Aliás, ele promoveu uma "reforma" na Previdência dos funcionários públicos, e, quando prorrogou por quatro anos a Desvinculação dos Recursos da União (DRU), desviando 20% dos recursos da Previdência para o "superávit primário" - isto é, para os juros aos bancos - não teve pejo em dizer o seguinte, na Exposição de Motivos: "Embora os indicadores da economia nacional estejam, hoje, bem melhores do que no passado, a cautela exige que se mantenha vigente tal comando até que as condições macroeconômicas e as incertezas do cenário internacional desapareçam".
Parece escrito por Meirelles. Na época, "o país apresentava taxas de desemprego recordes (na Grande São Paulo, o desemprego atingia 20,6% da população ocupada e, de acordo com o IBGE, 14,6%), a taxa nominal de juros básica era de 26,5% e a demanda apresentava claros indicadores de retração da economia. No entanto, chama cinicamente de cautela o expediente da desvinculação de recursos da seguridade para engrossar o superávit primário exigido pelo FMI" (Rosa Maria Marques Áquilas Mendes, "O governo Lula e a contra-reforma previdenciária", São Paulo em Perspectiva, 18(3), 2004, p. 6).
Em seu recente encontro com Temer, quando disse "não se faz reforma da Previdência com o país em recessão", ouviu a resposta: "você também fez". Mas Lula aconselhou Temer sobre "a melhor forma de aprovar a reforma da Previdência. Seria um erro afirmar que a Previdência está quebrada. O correto, disse Lula, seria alegar que a aposentadoria das futuras gerações está em jogo" (HP 08/02/2017).
A propósito, é verdade que Temer é "um cidadão sem nenhuma legitimidade". Mas quem o colocou no poder foi Lula – e Dilma. Quem o escolheu duas vezes para a vice-presidência?"
CARLOS LOPES